quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O país do racismo estrutural


Em 24 de junho deste ano foram encontradas, no Campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, um conjunto de pichações racistas em um banheiro masculino da instituição. As ofensas foram direcionadas ao professor de Jornalismo e coordenador do Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão (Nupe), Juarez Xavier, e às mulheres e aos alunos negros da universidade. A reação a essas manifestações criminosas foi o aumento da discussão sobre o racismo e sobre a presença dos negros nas universidades brasileiras.

Leia matéria no Blog: http://doisdedos-deprosa.blogspot.com.br/2015/09/o-pais-do-racismo-estrutural.html

Beleza negra, transição capilar e representatividade


Conversamos com Luciana Cristina Ferreira, 27 anos, formada pela Unesp em Educação Física, atualmente estudante de Pedagogia na mesma instituição e professora no ensino fundamental I de Bauru e Débora Amarante Teles, 19 anos, de Sergipe, estudante de Engenharia Elétrica, ambas jovens mulheres negras brilhantes que durante toda vida sofreram por não se encaixar nos padrões de beleza vigentes em nossa sociedade.

Leia a matéria na íntegra em: http://x3-livia.wix.com/livsdream#!BELEZA-NEGRA-TRANSI%C7%C3O-CAPILAR-E-REPRESENTATIVIDADE/vav10/55fa122a0cf2e15340f03fd5

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Possíveis  cortes  no  “Pibid”  geram  manifestações  e  necessidade  de  esclarecimentos.

Após a notícia sobre os  cortes no programa, dúvidas  começaram a surgir  e uma mobilização nacional foi formada contra essa possível redução. 
Por: Luis Henrique Negrelli

A primeira dúvida que surgiu após os boatos acerca da redução no Pibid foi: o que seriam esses  cortes  e  em  que  proporções? Mas,  além  disso, surgiu  também  a  pergunta:  o  que  é  o Pibid e qual a sua importância? Já que, por ter ganhado uma notoriedade maior nas mídias nos últimos  dias,  muitas  pessoas  começaram  a  ouvir  e  a  ler  notícias  sobre  um  programa  que muitos nem sabiam da existência.

De  acordo  com  a  CAPES  (Coordenação  de  Aperfeiçoamento  de  Pessoal  de  Nível Superior),  o Pibid  é  “uma  iniciativa  para  o  aperfeiçoamento  e  valorização  da formação  de professores  para a  educação  básica.  O  programa  concede  bolsas  a  alunos  de  licenciatura participantes de projetos de iniciação à docência, desenvolvidos por Instituições de Educação Superior (IES) em parceria com escolas de educação básica da rede pública de ensino.” O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) possui uma forte atuação  nas  unidades  da  UNESP.  Por  esse motivo  entrevistamos  a  Professora  de  Química responsável pelas disciplinas pedagógicas, Sílvia Regina Quijadas Aro Zuliani, que é a atual vice­chefe do Departamento de Educação da UNESP ­ Bauru. Para  a  Professora,  o Pibid  é  “um  programa  que  tem  o  objetivo  de formar melhor  o
licenciando, ou seja, o futuro professor.” Ela explica que “em todas as unidades da UNESP,
existem  960  bolsistas  de  iniciação  à  docência  e  cerca  de  100  bolsistas  de supervisão.  Em
Bauru, existem 120 bolsistas de oito subprojetos. E o valor da bolsa que o aluno recebe é de
400 reais”

Segundo a entrevistada, a primeira notícia que se teve é que haveria um corte de 90%
no Pibid em geral, porém ninguém sabia se era um corte de bolsas ou de recursos. Logo após
a divulgação dessa notícia, a Capes reagiu dizendo que ainda não havia definido nada e que as
bolsas continuariam sendo pagas e os bolsistas credenciados permaneceriam no sistema. Porém, a preocupação dos coordenadores foi que no comunicado da Capes constava que o Pibid iria continuar, mas se comprometeriam a fazer o pagamento apenas dos bolsistas inseridos no programa, sem, no entanto, permitir a inclusão de novos bolsistas em substituição aos que optarem por deixá­lo ou que se formarem. Conforme  a docente relatou,  “isso faria com que o programa acabasse aos poucos.”
Em seguida, o ForPibid (Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Pibid) criou  um  abaixo  assinado  com  os  bolsistas  do  Brasil  inteiro.  Em  menos  de  duas semanas foram  coletadas  26  mil  assinaturas  de  bolsistas  e  quase  20  mil  de  alunos,  professores  e escolas. Ao final foi entregue um ofício dirigido ao Ministério da Educação com cerca de 46 mil  assinaturas  em  papel. Segundo  a  professora Silvia,  “esse movimento  assustou  a Capes, que não esperava essa grande mobilização”.

No dia seis de julho de 2015, aconteceram manifestações na UNESP de Bauru  e no Brasil inteiro, com a presença de bolsistas e instituições atendidas pelo Pibid. De acordo com a  docente,  “depois  que  o  ForPibid  enviou  um  ofício solicitando  esclarecimentos,  a  Capes divulgou que estariam permitidas as substituições de bolsistas do programa. Logo, parece que a pressão feita já gerou algum resultado”

A professora ressalta que um dos grandes diferenciais do Pibid é “que além de focar na formação do professor, ele beneficia também a escola em que o bolsista é inserido, porque o professor que recebe os alunos tem na sala de aula um bolsista que vai trabalhar de maneira diferenciada.”O que está definido é que foram mantidas as bolsas ativas e suprimidas do sistema as cotas ociosas, ou seja, a cota de cada instituição é igual à lançada no mês de junho de 2015 e a partir desse teto poderão ser feitas as substituições necessárias ao andamento do programa. Já as bolsas cadastradas após 01 de julho de 2015 não serão incluídas na folha de pagamento.

Para  a  entrevistada,  a  educação  não se faz  de  um  dia  para  o  outro  e  o  Pibid  é  um programa  que  é  importante  dentro  do  campus, refletindo  na formação futura  do  professor. “Portanto  continuaremos  mobilizados.  O  ForPibid  continuará  trabalhando.  Afinal  se  não formarmos bons professores, não formaremos bons jornalistas, bons médicos, etc.”

A vida de quem inventa de voar

Por: Larissa Cavenaghi




São  estudantes  e  vêm,  de  diversas  partes  do Brasil,  arriscar  a  sorte  em  busca  de futuro seguro  e  emprego  garantido.  Saem  do  ninho  para  aprender  a  voar  e  voltam para  lá  tendo  já percorrido vários céus.

Todos os anos, milhares de estudantes deixam o conforto de seus lares em busca de um estudo de qualidade a fim de garantir e consolidar um futuro até então turvo. Receosos, partem para cidades desconhecidas levando, além das malas, um sentimento de ansiedade, medo e esperança, típico daquele pássaro que vai aprender a voar. Não sabem o que querem, mas acreditam no que buscam


São diversas as universidades que, a cada semestre ou ano, abrem suas portas para esses ingressantes de primeira viagem. Porém, as interioranas são as que mais se destacam por suas famosas receptividades. Dentre elas, se encontra a UNESP (Universidade Estadual Paulista), terceira maior universidade pública do país, com campus distribuídos ao longo de 24 cidades do estado de São Paulo. O maior deles, que se localiza em Bauru, é também o que recebe o mais alto número de estudantes. Atualmente, a FAAC ( Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp), por exemplo, conta com 1625 graduandos, sendo 85,42 % deles de outras cidades e 0,24 %, intercambistas. Com a instalação da Universidade Estadual Paulista em Bauru, no ano de 1987, além da USP (1962) e de particulares como USC ( Universidade Sagrado Coração ­ 1953) e ITE (Instituição Toledo de Ensino – 1951), a economia da cidade passou a movimentar­-se de maneira mais rápida e, atualmente, de acordo com uma matéria publicada pelo Jornal da Cidade (JC), os estudantes injetam cerca de 134 75,42 % 24,34 % 0,24% Distribuição dos alunos na UNESP Vindos de outras cidades Bauru Intercambistas milhões de reais anuais nela.

Após 120 dias de greve, os calouros unespianos puderam finalmente iniciar as aulas e, junto delas, o seu novo processo de adaptação envolvendo esferas, emocionais, sociais, culturais e até mesmo climáticas. Muitos sofreram e ainda sofrem com a distância dos pais, familiares e amigos, além da solidão. “O pior momento foi definitivamente no domingo, antes das aulas começarem. Meus pais foram embora e eu não pensei que fosse sentir tanto. Foi bem triste.”, disse Pedro Maziero (19) ao ser questionado sobre os piores momentos de sua nova vida na cidade. Pedro veio de Tupã e está cursando o primeiro ano de jornalismo na UNESP.


As dificuldades, contudo, não se encontram somente na solidão e na distância dos pais. Viver sozinho também requer um amadurecimento muito grande, o que conduz a um crescimento pessoal vertical. A vida a quilômetros de casa exige responsabilidade e, acima de tudo, consciência. Giovani Ramos Flores (21), que já está no campus da UNESP há três anos, cursando design, conta que mudou
bastante no decorrer desse período. Passou por bons e maus momentos. O mais impactante foi o assalto à república onde morava, no mês de março desse ano. De acordo com ele, momentos como esse permitiram que tivesse “muita responsabilidade. Antes, eu não me preocupava com nada, nem com as louças. Agora, eu tenho que pagar conta, muita conta. Já fui assaltado, fechei uma república e
tive dívidas.“

Somada a essas experiências e adaptação, vem a questão da cultura. A universidade, seja ela qual for, corresponde a um ambiente heterogêneo de integração, que engloba jovens dos mais variados estados, regiões e, até mesmo, países. Não é raro, hoje, ao andar pelas ruas do campus da UNESP, ouvir vozes dialogando em outras línguas. Essas vozes representam um grupo que arriscou um voo longe: os intercambistas. Estes, além de passarem por todas as dificuldades anteriormente citadas, são obrigados a se adaptarem a uma cultura eclética e diametralmente oposta como a brasileira, além do clima e da alimentação. “(...) O clima é muito frio, e eu não me enquadrei. A alimentação é muito diferente. Não sei, aqui as coisas já são prontas. Quando provo, acho meio estranho.”, confessou Miguel Mbona (20), estudante do primeiro ano de arquitetura, que deixou a Angola há cerca de um mês para arriscar­-se em terras brasileiras. Não importa o tempo fora, deixar o querido lar para estudar sempre será uma experiência paradoxal. Solidão, saudade e tristeza estarão sempre atreladas ao aprendizado, novos amigos e felicidade. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, Pedro, Giovani e Miguel confirmaram com a mesma empolgação que sair do ninho valeu a pena

Rio Bauru: Problemas e Desafios

Por Nathália Cunha



O Rio Bauru é um rio do estado de São Paulo que nasce na região sul de Bauru, próximo  ao perímetro  urbano.  Possui  cerca  de  42  km  de  extensão,  tem  mais  de  dez afluentes,  deságua  no rio Tietê  e  é  considerado  um rio morto  de intenso mau  cheiro, uma  vez  que  todo  o  esgoto  in natura  do  município  é  despejado  nele  e  em seus  dez afluentes. São lançados aproximadamente 1000 L/s no Rio Bauru, sendo 85% despejo residencial e 15% despejo industrial.
Existem  vários  casos  de  enchentes,  alagamentos  e  até  mortes  ligadas  ao  Rio Bauru.  A  questão é  tão  problemática  que  os  bombeiros  da  cidade  criaram  um  ''kit enchente'' para a população em dias de chuva.  Atrelada a poluição visual, há também a disseminação  de doenças  como giardíase, leptospirose,  ascaridíase  e  esquistossomose, colocando em risco a saúde dos cidadãos bauruenses.

O  rio  corta  parte  da  área  urbana  e  incomoda  com  o  desagradável  odor.  O processo de eutrofização, que é a diminuição da concentração de oxigênio dissolvido na água, está em estágio avançado e portanto precisa de um projeto de revitalização com urgência. Além disso, a falta da mata ciliar, cuja função é sustentar o solo à margem do rio, agrava o problema do assoreamento do leito.

O operário, Paulo Fonseca, 58, ao ser questionado sobre os problemas advindos da poluição do rio, afirmou que está trabalhando na obra com mais oitenta funcionários há um ano, e que o cheiro incomoda, principalmente nos dias mais quentes: "O cheiro incomoda sim, ninguém merece pagar esgoto e ele ser despejado no rio".  "Essa obra que a gente tá fazendo aqui é pra limpar o esgoto que é jogado tanto aqui  nesse  trecho,  quanto  lá  em  cima,  em  Água  Comprida,  que  depois  de  tratada é jogada de volta no rio", disse o trabalhador.

"A  obra  está  andando  bem,  acredito  que  daqui  2  ou  3  anos  o rio  já  vai  estar
limpo."  Todavia,  o  prazo  de  entrega  do  projeto  era  para  Março  de  2015,  conforme anúncio da Prefeitura Municipal de Bauru no canteiro de obras. Quando  perguntado sobre  as  enchentes,  ele cita  o  problema  com  as  bocas  de lobo, que não suportam a quantidade de água em dias de chuva forte "Muita gente fica ilhada. O rio sobe, e com os bueiros já entupidos, a água não escoa".

O gerente Bruno Wesley de Oliveira, 26, também reclama do cheiro nos dias de calor. Ele conta que já ficou ilhado no posto de gasolina, que é em frente ao rio e fica alagado  em  época  de  chuva. Bruno  também sabia  do  projeto  de revitalização  do rio. Quando perguntado a respeito das medidas que a prefeitura tomou contra o problema, ele  diz  que  não  acredita  na  eficácia  do  projeto.  "Eles (a  prefeitura)  não ligam  para  o meio ambiente, eles se vendem, querem dinheiro".

Os moradores Ruth F., 82, e Sidney Ferreira, 64, contam que a casa já ficou com dez  centímetros  de água  nos  dias  de  enchente.  Quando  perguntados  a  respeito  da importância que a prefeitura dá para o meio ambiente, Sidney reclama sobre os bueiros. "Eu já fui pessoalmente na prefeitura reclamar dos bueiros. Quando o rio enche a rua fica  toda  alagada.  Ninguém  faz  nada.  Daqui  a pouco  chega  Setembro  e  a  situação piora".

Para o mecânico, Rodrigo S., 25, a culpa não é só da prefeitura. " Em volta que é complicado, vai das pessoas. Jogam lixo na rua, vem a enchente e vai tudo pro rio. Não é só culpa da prefeitura. Vai demorar para a população ajudar, tem que ter propaganda para conscientização".

Para  o  engenheiro florestal Cláudio Machado  Filho, formado  na Universidade Federal  de  Viçosa, o  rio  não  é  somente  uma  questão  ambiental:  "Levando  em consideração que a população em geral faz parte do ambiente e que não é apenas um ser separado,  fora  do  contexto,  e  que  pode apenas  usufruir  do  que  a  natureza  tem  para disponibilizar,  então  com  certeza  afeta  a comunidade local de diversas formas. Como exemplo  temos  os  problemas  com  as  enchentes,  que são  agravadas  pela  ocupação incorreta de  áreas de preservação permanente,  as APPs (áreas que ficam nas margens dos rios), impermeabilização do solo, destinação incorreta do lixo". Ele cita também algumas facetas positivas sobre a revitalização do rio, como a melhoria da estética da
cidade, diminuição de doenças e até o aumento do turismo.

Até  a  veiculação  dessa  matéria,  a  Prefeitura  Municipal  de  Bauru  não  se
pronunciou a respeito dos problemas do rio.



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