quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

As consequências da maior greve da UNESP

Professor e aluno explicam suas visões em relação a maior paralisação da história da Unesp


Por Bruna Hirano


A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) passou pela a sua maior greve de sua história, em termos de duração, este ano. Depois de 116 dias de paralisação, docentes e técnico-administrativos encerraram a greve ao alcançar um reajuste salarial, de 5,2% pago em duas parcelas - 2,57% respectivamente em setembro e em dezembro – além de 28,6% de abono que se refere à reposição do salário, entre os meses de maio e setembro, e acréscimo de R$250 no vale alimentação.
A greve ocorreu devido ao congelamento dos salários por parte da Reitoria e pela falta de comprometimento em não cumprir com o reajuste de 5%, em agosto deste ano, e 3,415% de ajuste para os docentes que havia proposto no movimento de greve do ano passado. A recente paralisação foi resultado dajunção de pendências e problemas mal resolvidos desde 2013.
Falta de comprometimento da Reitoria

A decisão de congelamento dos salários pelos reitores das três universidades estaduais de São Paulo – USP, Unicamp e UNESP – foi bastante questionável na visão do docente AngeloSottovia Aranha, professor da FAAC (Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação) da Unesp de Bauru. “Essa decisão dos reitores das três universidades foi baseada em argumentos muito questionáveis, pois há reserva financeira para o pagamento e esse arrocho salarial tem caráter político. Há mais de 20 anos o governo estadual de São Paulo tem feito o possível para sucatear a educação pública, e o tem conseguido no ensino fundamental e no médio. A resistência dos funcionários das universidades é que tem ajudado a garantir a autonomia financeira e a autonomia de ideias das três universidades públicas do estado de São Paulo.” afirma o professor que participou ativamente do movimento de greve dos docentes.

Empecilhos para chegar a um acordo

Durante o período em greve, o principal empecilho foi a estratégia autoritária da Reitoria em não dialogar e tornar difícil qualquer comunicação que chegasse à um acordo. Sottovia conta que quando havia diálogo, a administração jogava dados que não tinham nenhuma relação com o problema que estavam enfrentando, o que tornava ainda mais difícil qualquer negociação. Devido à isso, a greve se estendeu por quase quatro meses.
Após o período conturbado de paralização e de todos os empecilhos enfrentados, Sottovia acredita que a greve atingiu seus objetivos em termos de organização. “Docentes e funcionários se uniram, novamente, e também os estudantes. Conseguimos mostrar aos pelegos que pretendem operacionalizar a operação de terceirização indireta das universidades públicas que ainda temos força e que a nossa preocupação não é apenas a manutenção do poder aquisitivo.” finaliza.

Rotina acadêmica prejudicada

A greve dos docentes e técnico-administrativos foi necessária e houve objetivos que foram atingidos, porém faltou mais comunicação com os alunos, de acordo com Klaus Aires Alves, estudante de Relações Públicas da Unesp de Bauru. “A greve era o exercício de um direito, tinha uma pauta clara, já que o congelamento de salários foi algo bastante inédito, e um precedente complicado de aceitar, mesmo para os professores, que são uma categoria bem remunerada. Faltou apenas mais comunicação com os alunos, teria sido um sinal de respeito, já que fomos bastante prejudicados. Para saber dessas informações eu tive de buscar por conta própria.” explica ao ser questionado sobre o seu posicionamento em relação à greve.
Apesar de bem sucedida, houve pontos que prejudicaram os graduandos, como o atraso na rotina acadêmica e no calendário. Klaus acredita que poderia haver mais medidas possíveis antes de chegar à decisão final de greve. “Mesmo com o sucesso da greve, não há como afirmar que uma agenda mais extensa de negociações não teria levado ao mesmo êxito prejudicando menos a rotina acadêmica, e por consequência a vida prática dos alunos.” opina o estudante.
Para que os alunos não fossem tão prejudicados com suas rotinas e estudos, ele também acredita que outras posturas seriam viáveis. “Acho que outras posturas eram cabíveis antes, pra que a greve fosse menos extensa, por outro lado, acho que com todas as tensões, inclusive políticas, ela era inevitável.” conclui.

Segundo semestre só em 2015

As aulas na FAAC da UNESPde Bauru voltaram à normalidade no dia 22 de setembro e o primeiro semestre de 2014 deve seguir até meados de novembro, para o segundo semestre ser finalizado apenas em maio de 2015.

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